domingo, 17 de março de 2013
@@@@@ DIZ: HEY YO @@@@
Vou-me Star
On the
Pés Vejo (pés-ser-vejo)
Dez banjo
Téz beijo
Soul Fé, Jó
Boo(!) Che, xô
Key Yo...
...Soul Vento
The men tool
Oz Íris
Zoo
Cool paz
Jah
Che Rei Mui
To...
...Da Far (way) inha
Do Diz Hey Yo(!)
Emmanuel 7 Linhas
07.03.2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
RESPOSTA AO PROFESSOR GRIJÓ: Funk, cultura e livro
Saudações Professor!
Sobre a supra citada crônica do dia 29 de janeiro, a considero raza e com um elitismo desproporcional - o que na antropologia é chamado de "reducionismo".
"O que se costuma chamar funk" é uma das maiores manifestações culturais brasileiras, advinda de referências do R&B estadunidense, onde o carioca radicado nos EUA Stevie B ganhou notório destaque na década de 80 com oq é chamado no Brasil de "Funk Melody", juntamente com sonoridades eletrônicas de grupos tais como Africa Bambata, entre outros, adicionados a arritimia dos tambores de candomblé e de referências de dança ancestrais crivadas na alma da diáspora africana - vejamos o Kuduro por exemplo - com as quais montamos esse mosaico chamado "Funk Carioca", "Pancadão", "Batidão", "Brasilian Afro-Beat", muito divulgado e apreciado na primeira década do novo século na Europa, através do DJ Malboro, que discotecou nas maiores casas da França, Alemanha e Reino Unido.
Atualmente o Funk carioca movimenta cifras gigantescas no mercado cultural brasileiro, gerando emprego e renda através do "faça você mesmo", com os quais os empresários do funk, assim como os do brega do Pará, trazem a tona por vias de sua própria técnica de administração d erecursos, superando o racismo institucional brasileiro e sedimentando nas periferias e também entre jovens de classe média uma das maiores manifestações populares de nossa História.
No livro "o mundo do funk carioca", o sociólogo Hermano Viana nos abre seu diário de bordo acerca da experiência de um jovem branco, de classe média, com formação acadêmica, imerso no universo dos bailes funk's das favelas cariocas da década de 80, onde destaca-se ali o olhar antropológico acerca de um movimento cultural, a partir de dentro, sentindo junto, dentro dos bailes.
O samba, a mpb, a Bossa Nova, não são os ritmos mais populares brasileiros da atualidade, observamos a ascensão do "sertanejo universitário", o "arrocha", juntamente com o funk carioca nas listas de destaques em quaisquer festas de periferia, como também em várias casas noturnas de classe média alta.
O que é cultura brasileira??
É a cultura dos livros, das academias brancas e elitistas?
O que incomoda no funk carioca, o valor exacerbado do corpo?
Assim como o samba, a capoeira, o candomblé, o funk carioca sofre da amálgama elitista brasileira em não observar que é vã sua tentativa de tornar-nos uma europa dos trópicos. O funk é o corpo como tábua primeira, a partir da leitura de Hermano pude entender as tais "rodas de sexo" da década de 90 e os "corredores", onde jovens se dispunham nos "lado A e lado B" dos bailes, se enfrentando fisicamente, como dois exércitos. Qual a forma de demonstração de poder que pretos e pretas na periferia mais tinham fixadas em seu cotidiano? Respondo: polícia e sexo!
A juventude de periferia via na agressão ( e ainda vê) física o instrumento de poder, assim como as jovens negras com seus "cabelos de pico", excluídas dos comerciais de shampoo e das novelas da globo, davam vazão ao único espaço onde elas eram detentoras de poder pelo critério de serem exclusivas, as únicas mulheres disponíveis: o baile funk!
A cultura de periferia é a cultura popular brasileira, com a nossa classe média gostando ou não, ficamos orgulhosos em ver a nossa sexualidade sendo exacerbada em nossos bikinis e culturas. Como o corpo pode não ser a cultura popular brasileira professor???
O corpo é a cultura brasileira - os dribles de Garrincha, o rebolado de Carla Perez, assim como o humor nordestino, a poesia paulista, a transcedentalidade amazônica - somos mosaico - e nenhum radicado fora ou então alguém de um país de Putin's onde os padres ortodoxos abençoam fuzis em suas missas podem demonstrar qualquer estranhamento sem a nossa desconfiança.
Um dia seremos um país de leitores, porém, leitores dançarinos e sexuais.
Como costumo dizer, ninguém sexta feira a noite vai para uma boate ouvir chico buarque....cada um em sua móira...
"É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado..."
Emmanuel 7 Linhas
Funqueiro, Rapeiro, Repentista, Sambista, Ator, Arteiro, Poeta e passista - Preto e Favelado: Zeitgest!!
LEIA O ARTIGO DO PROFESSOR GRIJÓ:
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2013/01/noticias/cultura/1394775-cronica-do-dia-funk-cultura-livro.html
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2013/01/noticias/cultura/1394775-cronica-do-dia-funk-cultura-livro.html
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Minha primeira vez...
Minha primeira vez...
Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece.
Eu não me esqueci da minha.
Dizem que a primeira vez nunca é boa e você faz tudo errado.
Comigo não foi diferente.
O quarto estava morno. Minhas mãos, frias. Meu coração, quente. Minha cabeça, em parafuso.
Ela estava deitada na cama como se não se importasse com o que ocorria ao seu redor.A penumbra em que nos encontrávamos era incomodamente aconchegante. A luz do sol passava em feixes pelas frestas da janela formando pequenas linhas de vida que cortavam o recinto. Dois desses feixes alisavam aquele rosto pálido e aveludado que descansava em cima de um travesseiro. O lençol a cobria até a cintura, guardando delicadamente cada centímetro de suas pernas. Apenas seu rebelde pé esquerdo repousava de forma graciosa para fora das cobertas. Me aproximei pelo lado da cama de maneira tosca. Meus braços pareciam pesar 50 kg cada. Minhas pernas tinham vida própria. Eu não coordenava meus movimentos. Meu olhar era fixo, como o de um leão prestes a atacar sua presa.
Já ela demonstrava ter total controle da situação. Um olhar vago, meio despreocupado, de certa forma até pretencioso. Focava o horizonte, fingia não me perceber ali. Por um momento nossos olhares se cruzaram. Não foi preciso dizer uma palavra. Ela precisava de mim. Eu fui.
Como qualquer iniciante, queimei a largada. Avancei com voracidade. Subi na cama me apoiando em meus joelhos. Antes que ela pudesse reagir abracei sua roupa com as mãos. Como um lobo voraz abocanhei o meio de sua camisa com os dedos. Em um único puxão, abrupto e seco, libertei seu peito daquela prisão. Ela não usava sutiã. Os bicos de seus seios me encaravam perdidos. Mal sabiam eles que estávamos juntos.
Era chegada a hora. Por 5 dias eu a massageei. O relógio contou apenas 10 minutos, mas eu sei que se passaram dias. Meus braços não se suportavam. Meus ombros estavam castigados. Ela pareceu desistir de mim. Durante todo o tempo não reagiu às minhas investidas. Eu falhei.
E assim a vida se foi, como um assovio inocente em meio a ventania...
O monitor cardíaco, que repousava ao lado da cama, registrava ZERO batimentos por minuto. Uma linha vermelha e reta cortava a tela soltando um som contínuo que teima em não sair da minha cabeça. Ele me dizia o óbvio, escancarava-me o fim. A RCP - reanimação cardiorrespiratória - ou como dizem por aí, a massagem cardíaca, não surtira efeito. As enfermeiras, que me auxiliaram, cederam-me dois tapinhas nas costas. Não há nada mais humilhante do que os malditos tapinhas de consolo nas costas. Pareciam ser tiros de misericórdia adentrando meu peito. Rasgavam-me o tronco como um chicote de um senhor de escravos.
Minha vergonha era lancinante. Ela, por outro lado, parecia não se preocupar. Desde o início mantivera aquele mesmo olhar de desapego. As enfermeiras cobriram seu rosto com o lençol. Era o fim do espetáculo. As cortinas se fecharam, e não houve sequer um aplauso.
Saí do quarto. Tirei meu jaleco. Ele estava limpo, alvo, impecável, nem parecia ter me coberto durante o pior momento da minha vida. Alguns chamam médicos de Anjos. Hoje fiz uma entrega para a morte. Naquele quarto duas pessoas tinham perdido a inocência, a diferença era que uma ainda continuava com o coração a bater. Segui torto pelo corredor do Hospital. Era hora de ir embora. Era hora de fumar um cigarro.
José Vitor Rassi Garcia
http://www.camarabrasileira.com/euv12-021.htm
(Via José Vitor Garcia)
sexta-feira, 20 de julho de 2012
DESUMANIZAÇÃO - Por Maria Regina Alves
As pessoas simples, da vida, não estão inclusas na sociedade do consumo e da imagem. Não usam Prozac nem plástica; não buscam a felicidade intermitente e a juventude eterna; não calam suas vozes internas e expõem seus mais íntimos desejos e fraquezas.
Vivem sem descartar pessoas, simplesmente, como um aparelho de tv. Choram o que precisa ser chorado, riem de si mesmos, falam sem a lança nas palavras e sonham... como se cada sonho lhe oferecesse a possibilidade de existir mais de uma realidade.
Estar out-side virou sinônimo de invisibilidade, principalmente quando não somos “merecedores” dos cartões de crédito, das milhagens... tudo que nos leva direto ao objeto de desejo forjado pelo triângulo capital-mercado-propaganda
Cabe aos meios de comunicação criar necessidades, já determinadas por um grupo invisível, particular e limitado - formam a seita do capital, e lançar uma cortina de fumaça, através da espetacularização da vida.
A democracia é ficção, sendo o essencial ter e construir sem critério, bastando ser “digno”, “escolhido”, exercitando baixa criatividade e alta voracidade frente ao que determina o marketing.
Hoje temos o isolamento dentro de manadas, ou seja, mentes e corpos feito ilhas, porém buscando a visibilidade, ser imagem aos olhos do “outro”.
Um comportamento de exacerbação do narcisismo, declínio de valores e necessidade de eternização, mesmo sem qualquer fim justo. Apenas a continuidade de um espetáculo que duvido ser da vida.
Maria Regina Alves
TANTA GENTE - Por Dieymes Pechincha
- É da roda, da ciranda, da corda, do boi, da dança.
- Que samba, criança, que pula, que gira, que ri.
- Menino criado descalço,
- De dedo esfolado, de unha encravada,
- Mão suja de terra, sorriso com todos
- os dentes (os que tem, e os que virão.).
- Um bolso que mais leva brinquedo
- que lápis.
- Uma bolsa com todos os grandes inventos.
- Pião, Bola, Gibi, Balas... Balas... Balas...
- Catava café, pra ajudar...
- Ganhava um trocado, final de semana.
- Balas... Balas... Balas...
- Vendia manguitas do quintal.
- Comprou colete pro futebol.
- Era o reserva, que foi pra final,
- entrou no finzinho...
- Que foi pros pênaltis.
- Bateu de bico, fez GOOOOOL!!!!!!
- "UFA!"
- Não foi dessa vez.
- Dedão latejou, inchou, até hoje dói.
- Depois da final já foi titular.
- Viajava pouco. Gostava das moças.
- E nunca entendia por que "só amigos".
- Melhores amigos... São muitos!
- Irmãos, daqueles que só se conta,
- e só se percebe quando é pra
- saber perceber.
- Aos montes, e ama todos, beija,
- abraça, morde, leva pra casa.
- Poucas vezes se encontram.
- Mesmo assim estão juntos, ali,
- em algum lugar abstrato,
- subjetivo, in-concreto, porém, real!
- Inimigo?
- Um!
- E ele um dia cairá.
- Enquanto o dia não chega, estudemos,
- Mas ele um dia cairá.
- Estudar... Entender...
- Tanta gente contribui pra isso.
- Tanta gente que nem tem isso.
- Tanta gente pra ser ouvida.
- Tanta tarefa pra ser cumprida.
- Tanta gente num só umbigo.
- "Tanta mente", tanta mentira.
- Tanto sorriso amarelo.
- Tanto medo de amarelar.
- Tantos "tantos" aqui dentro.
- No entanto, tanta gente de fora.
- Gente da roda, da ciranda, da corda, do boi, da dança.
- Que sambou, criançou, que pulou, que girou, que sorriu.
- Que também foi criado descalço, de dedo esfolado,
- unha encravada, mãos sujas de terra, sorrisos, sorrisos,
- sorrisos...
- De bolsos lotados de bolinhas, catavam café, catavam vento.
Cadê?
- Quem foi pra final levou o troféu.
- Tanto, tanto, tanto.
- Tanta gente lá fora.
- Tanta potencia.
- Tanto universo desconhecido.
- Tanta gente interrompida.
- Tanta gente interrompida.
- Tanta gente...
Dieymes Pechincha
segunda-feira, 23 de abril de 2012
IMPROVISO EM PEQUIM - Allen Ginsberg
Escrevo poesia porque a palavra inglesa Inspiração vem do Espírito Latino,
respiração, e eu quero respirar livremente.
Escrevo poesia porque Walt Whitman deu ao mundo permissão para falar
com sinceridade.
Escrevo poesia porque Walt Whitman abriu o verso-linha para que a
respiração desobstruída passasse.
Escrevo poesia porque Ezra Pound viu uma torre de marfim, apostou num
cavalo errado, deu permissão aos poetas para escreverem em vernáculo falado.
Escrevo poesia porque Pound mostrou aos jovens poetas do acidente as imagens
escritas da poesia chinesa.
Escrevo poesia porque W. C. Williams vivendo em Rutherford escreveu em
dialeto de Nova Jersey "pontapeio-te o olho", perguntando como medir
no pentâmetro jâmbico.
Escrevo poesia porque o meu pai era poeta e a minha mãe da Rússia falava
comunista, tendo morrido numa casa louca.
Escrevo poesia porque o meu jovem amigo Gary Snyder sentou-se para ver
os seus pensamentos como parte do mundo fenomenal exterior
assemelhando-se este a uma mesa de conferência em 1984.
Escrevo poesia porque sofro, nasço para morrer, de problemas renais e pressão
alta, como todas as pessoas que sofrem.
Escrevo poesia porque sofro com a confusão de não saber o que as outras
pessoas pensam.
Escrevo porque a poesia pode revelar os meu pensamentos, curar a minha
paranóia e a paranóia de outras pessoas.
Escrevo poesia porque a minha mente vagueia por assuntos como sexo, política
e meditação Budha Dharma.
Escrevo poesia para tornar mais nítidas as imagens da minha mente.
Escrevo poesia porque levei os Quatro Votos do Bodhisattva: as conscientes
criaturas que se libertam e que não possuem sombra no universo,
a minha ignorância gananciosa a passar pelo infinito, as situações em que me
encontro e que são incontáveis quando o céu está bem, quando acordados
os caminhos da mente.
Escrevo poesia porque esta manhã acordei a tremer de medo daquilo que
poderia dizer na China.
Escrevo poesia porque os poetas russos Maiakovski & Yesenin
cometeram suicídio e alguém precisa de lhes falar.
Escrevo poesia porque o meu pai recitando o poeta inglês Shelley e o
poeta americano Vachel Lindsay deu o exemplo em voz alta – respiração
inspirada no grande vento.
Escrevo poesia porque escrever sobre questões sexuais era censura
nos Estados Unidos.
Escrevo poesia porque os milionários dos lados leste e oeste andam
em limusinas Rolls-Royce e as pessoas pobres não têm dinheiro para
consultarem o dentista.
Escrevo poesia porque meus genes e cromossomas se apaixonam por
rapazes e não por raparigas.
Escrevo poesia porque não tenho alguma responsabilidade dogmática
um dia depois do outro.
Escrevo poesia porque quero ficar sozinho e ao mesmo tempo
quero falar com as pessoas.
Escrevo poesia para responder a Whitman, a pessoas novas daqui por
dez anos, falar com velhos tios e tias ainda vivendo próximos de
Newark, Nova Jersey.
Escrevo poesia porque ouvi os "blues" dos negros na rádio em 1939,
Leadbely & Ma Rainey.
Escrevo poesia inspirado pelas jovens e alegres canções dos
Beatles envelhecidas.
Escrevo poesia porque Chuang-Tzu não sabia dizer se era uma borboleta
ou um homem, Lao-Tzi dizia que a água corre em declive, Confúcio dizia
"honra os mais velhos", e eu queria honrar o Whitman.
Escrevo poesia porque o crescimento em excesso do gado da Mongólia
para os EUA destrói a relva nova e a erosão propicia desertos.
Escrevo poesia usando sapatos de animal.
Escrevo poesia porque a primeira ideia é sempre a melhor.
Escrevo poesia porque nenhuma ideia é compreensível excepto se
manifestada em particular: "Não apenas as ideias, mas as ideias dentro de coisas".
Escrevo poesia porque o Dalai Lama diz: "As coisas são símbolos de si mesmas".
Escrevo poesia porque os títulos dos jornais dizem que há um buraco negro
no centro da nossa galáxia e somos livres para observar.
Escrevo poesia porque da Primeira Guerra Mundial, da Segunda
Guerra Mundial, da bomba atómica e da Terceira Guerra
Mundial (se a quisermos), delas não preciso.
Escrevo poesia porque o meu primeiro poema "Uivo", não pensado
para ser publicado, foi perseguido pela polícia.
Escrevo poesia porque o meu segundo poema "Kaddish" homenageava
o paranirvana da minha mãe num hospital psiquiátrico.
Escrevo poesia porque Hitler matou seis milhões de judeus e eu sou judeu.
Escrevo poesia porque Moscovo disse que Estaline mandou exilar 20 milhões
de judeus e intelectuais para a Sibéria e 15 milhões nunca mais voltaram ao
Stray Dog Café, em São Petersburgo.
Escrevo poesia porque eu canto quando estou só.
Escrevo poesia porque Walt Whitman disse: "sou uma contradição em mim?
Tudo bem então eu contradito-me (sou largo, contenho multidões)".
Escrevo poesia porque a minha mente se contradiz, um minuto em Nova Iorque,
no minuto seguinte nos Alpes.
Escrevo poesia porque minha cabeça prende 10.000 pensamentos.
Escrevo poesia porque sem razão não há porquê.
Escrevo poesia porque é a melhor maneira de usar a cabeça dizendo tudo.
Por seis minutos ou por uma vida inteira.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
UMBANDERIA - PÓ DE SER???
Reflexão Gestacional sobre Pó de Ser Emoriô ( Umbanderia),
O artista, o artífice, o artesão, fomentador, pesquisador , executor de uma ideia artística, destina-se ao belo, a provocar o belo. A obra surge da sensibilidade do artista, o artista surge após ter sua obra apreciada ao público, devorada, ruminada, experimentada.
Toda expressão artística deve ser vivenciada, pois como disse o Grandioso Gênio Sérgio Sampaio: “Um livro de poesia na gaveta não adianta nada, lugar de poesia é na calçada...”
O século vinte e um inaugurou um tempo futuro sem presente, onde estamos em extremo contato com o passado, voltados para o “de mais recente”, num fluxo constante de atualizações, onde meios são os fins, tendo na arte o congelamento, a beleza atemporal, sensorial, intelectual e instintiva; passiva e ativa a dialogar com escolas de todas épocas, técnicas, espíritos, estados de espírito, fim em si mesmo, tendo todos enquanto expressões da obra de arte: a obra, o artista e o público.
O dinamismo tecnológico e sua abrangência, a acessibilidade de inúmeras interfaces linguísticas, é eficiente mecanismo de produção e disseminação de conceitos, elementos, produtos, mas no caso da arte, o esperado é atingir um lugar onde não se possa imaginar, e a maneira como os diversos elementos disponíveis são utilizados ou não utilizados, conhecidos ou não conhecidos, incidem cada vez mais no resultado dessa ação.
A Arte enquanto campo de conhecimento move todas as outras áreas no seu acontecimento, no intercâmbio de ideias, regiões, perspectivas e atualizações, alcançando o viés necessário ao artista e ampliador de novas culturas, de toda cultura.
“UMBANDERIA” é o parto por inteiro, a fonética, a estética, o movimento e a sonoridade. A promoção desse encontro, é o momento o qual elege-se uma estréia, um cair do pé pelo fruto maduro (ou não, como diria caetano), ex-pôr, ex-porte, dar-se à vida, à distinção, a procura da batida perfeita, o fluxo do coração, é a busca incessante pelo degrau dos gênios da sensibilidade e beleza, a hora de estar à prova. Os Tambores de Aruanda celebram sem medo, do cume da montanha o leão ruge, o clarão dos raios, a beleza das cachoeiras a força das marés, o fogo e sua transformação:
“Quem não guenta com mandinga não carrega patuá...”
Emmanuel "7 Linhas"
16 de março de 2011
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