sábado, 7 de fevereiro de 2015

IN PÉ-RA DOR: WAI'AMUNS - MANABI SABE




O facebook é do diabo
(H)á família é a luz da verdade (?)
Um tapa dói
No espelho da vaidade

Um espirro de crueldade
Uma montanha de defuntas - nossas mães, irmãs, filhas, mulheres
Em quaisquer DDD's
Soldado: Direita Volver!

Em estado de terminal homossexualidade
Vitória não tem copo
Na lente de aumento do Espírito Santo
Vejo corpos estirados no zap-zap

Crack-boom
Na boca seca
Eu rio doce
Não vale água (santa maria!)

Vai tomar na Cul
Tura tureza
Um teco de Pó Preto - 67% o PH de pureza
Um galão de aço éssaci assassi assaz ce lor

IN PÉ-RA DOR: WAI'AMUNS MANABI SABE!


Emmanuel 7 Linhas

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

7Lee



Onde moro
Vale mais comprar um carro
Que plantar uma árvore
Vale mais um "like" que doar sangue
Andar de nike é melhor que um filme do Spike

Lee, nem ler, nem ouvir Rita Lee ou se inspirar no Bruce Lee
Ritalina, Lamivudina
Rivotril, Prosac
Maconha não
Cachaça da roça
Crack na cidade
No campo

Ao redor do Santo, o pranto
Dentro do prato, sangue
Na mão, calos
Na boca mordaças
Gastos sapatos
E ninguém vai de bike

7Lee

terça-feira, 20 de janeiro de 2015





MALEMBE (CIRANDA NEGRA)


Estórias, memórias, contam estórias de glória,
foram arrancados assim, povos de toda Benim,  [2x]

Sudão , Nigéria, Angola,
Moçambique
Pra nos dizer alambique, moleque a todo pique,
Brincar de pique de roda ciranda...

Cirandinha vou cirandar,
Obá, Obatalá,
Olodum, Afoxé
Manos de fé Asé
Bater tambor, Candomblé
Bater cabeça, Gongá
Umbanda de Oxalá

Quimbanda...
Muito respeito a cultura
Mitologia Africana

Malembi Zambi criador e a todos Orixás
Obalaô, ato to o Babá,
Ato to Obaloae,
Xangó, Orixalá
Oxossi é rei das matas lá - do Juremá

Ogum é de Lei, Ogum é de lá, a Banda da Esquerda e da cachaçá...
Farofa, firmeza, força que nos vai - Guiar

Não vem me dizer
Chega de êke
Seu ponto de vista não convêem
Minha religiosidade é meu bem

Vértice multilateral, de minha riqueza cultural
Não me venha com o bem,
Não me venha com o mal
O seu cartão de crédito é o seu ritual

Mojubá, mojubá
Povo de Aruanda
Iabá, Iabá
Epa Epa Babá

Não existe Orishá sem folhas
Salve Ossain, Ewé Ô Ewé Assá Assá Ô
Contra a cultura do salto alto, do assalto, do asfalto
A floresta é o Nosso Senhor

A floresta é o Nosso Senhor [4]



Emmanuel 7 Linhas

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

ALVORECER

Quando artista falar
Uns vão chorar
Outros debochar
Ele vai se expor
Intelectuais pseudo-analíticos engomados por um sofisma retórico acadêmico rocambólico camará vão contemporizar
As hype vão se molhar
Os poeta o cotovelo doer (uns vão gostar)
Quem dera se todos nós fossemos filhos de nordestinos ao menos
Pra poder de verdade doer
A maldade expeli
Da desgraça ri
E nunca desistir de um novo alvorecer


Emmanuel 7 Linhas

sábado, 29 de novembro de 2014

BACK FREE DAY






Black’s: free day (?)
Indigence every day
Slavery, death and destruction
Monday through Friday

Lower castes kill a lion per minute
The google translator helps me not evade the issue
We are all one
In the checkout line with cold

Our unlimited credit card
To purchase an inflated ego
Make the sign of the cross, type the password, ask jesus: 
Thanksgiving day the TV, the I-fuck, and the right not to be

7L


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

NAIMA ARUANDA




Arranjo de Thiago Perovano em homenagem ao Mestre JohnColtrane.
Uma fusão entre Jazz, Rap Futurista Brasileiro e Candomblé.
Naima é o nome da esposa de Coltrane.


NAIMA ARUANDA

Desembolando 
Meu raio - x 
Existencial e cronológico
Eu vou rimando, vou elevando
Minha Aruanda pós moderna digital
Contra toda insensatez
De um modelo ultrapassado e analógico
Será que é gótico?
Será que é cósmico?
Será que é lúdico?
A pálo seco?

A bandeira de Zumbi
Está fincada por aqui
Herdeiros de Sabotagem
The fuckers rapper is me

To be or not to be
Nas Sete Linhas de Umbanda
Onde nasci, onde  cresci

Guerreiro que roda ciranda é meu Axé, Saravá, Como um trovão
Eu vou firmando a minha fé em Oxalá
Ganjah, ganjah

Vou navegar no barco de Ogun beira-mar
Vou me banhar nas águas de mãmãe Yemanjá.

refrão:

Luz de Shangô
Caia sobre nós
Teu desamor 
Não trará a paz.


7L




quinta-feira, 6 de novembro de 2014

VEM PRA RUA: A MICARETA POLÍTICA DE UMA ALMA DESARMADA









Em contraste ao estigma pseudo-midiático de que o Brasil é um país pacífico, de um povo alienado politicamente, estático e acéfalo, gosto da constatação do Professor Boaventura Souza Santos  que além de cravar o conceito de recepção versus a epígrafe da alienação, afirmou que o Brasil é um país de atividade política popular intensa - vide os inúmeros movimentos sociais dispostos por todo o território brasileiro.


No transcorrer de toda a estória de formação do país Brasil, os confrontos entre a população insatisfeita, grupos separatistas, guerrilhas, quilombos, bolhas pós-modernas de combate social, hackers, punks e insurgentes contra o estado oficial, é dado e fato estórico. Na base de nosso povo está a diversidade,  tanto de opiniões quanto de origens, perspectivas, mas sempre atrelados a uma miscigenia congruente onde o contraste não é execrado ou ignorado, é o composto de todo dia-a-dia de quaisquer brasileir@s.


Caras pintadas, pró-cotas, anonymus, pastorais da criança, pré-universitários alternativos, grafiteiros, grupos de capoeira, igrejas evangélicas que distribuem comida nas madrugadas frias dos postos de saúde, casas de Umbanda que recolhem roupas e alimentos para os mais necessitados - onde está essa apatia política tão conclamada acerca do povo brasileiro???


Minha formação política na década de 90 passou por grupo de jovens católicos, movimento hip-hop, pré-universitário alternativo voluntário, movimento sindical, movimento estudantil, violão e fogueira ao som de legião urbana, cazuza e mais a frente, O Rappa, Rage Against the Machine, Chico Science e Nação Zumbi. Existia uma aura de transformação acerca dakela geração, um presidente operário foi posto no poder, um desejo de mudança imperava a todas e todos, enfim, boa parte de nós "urbanistas" alcançamos a "crasse mérdia", o acesso a bens de consumo, cartão de crédito, universidade pública, carros parcelados. E onde foi que nós chegamos com tudo isso???


Observo com muito orgulho minha guria de 14 anos querer ir para rua nas atuais manifestações, pois,  segundo ela "o que eu vou dizer pro meu filho mais a frente, que eu não estava lá?", e vejo que antes de dizer que isso tudo não vai dar em nada, antes de chamar essa gurizada de emo, de caretas, de micareteiros, temos que observar que o Brasil é o país dos encontros, de etnias, povos, gerações, desejos, preconceitos, perspectivas, sonhos. O transporte coletivo das metrópoles brasileiras reflete muito do que não queremos enquanto sociedade: um lugar abatalhoado de gente imprensada e solitária, olhos perdidos e cansados, um gosto de "sem direito", um véu de navio negreiro, gélido, individualista, tanto quanto o menino Thor e sua mc laren possante, isolado, sem amigos baratos...


A geração Y, tão criticada por seu isolamento socio-virtual, seus games e memes, sua alienação política ( o que chamaria de descrença) coloca na cidade de vitorinha, capital do Espírito Santo, um dos estados mais conservadores e beligerantes do Brasil, cem mil pessoas em uma manifestação dita "sem liderança", a-partidária, cobrando mais do que 20 centavos, cobrando visibilidade, responsabilidade, profundidade e principalmente, reconhecimento e diálogo.


O Cantor Marcelo Falcão, ícone político dos jovens pós renato russo de minha geração, após o estardalhaço do jingle midiático para uma propaganda de carro implodir um sentimento contagiante, que mistura carnaval (lembrando que o carnaval, além de ser festa da carne, era o momento em que a pólis zombava de seus governantes [com a devida autorização] publicamente), micareta, ativismo político, esperança e uma resposta a tal alienação e nilismo latentes de uma geração o qual muitos diziam que não sabia pensar, responde, o tal cantor,  que só colocou a voz no jingle, só isso....tsctsctsc Falcão, que alma mais desarmada a sua!!!!


Com o fluxo cada vez mais intenso de informação e anseio, vejo jovens  disputando o pleito político institucional, forçando as pessoas a pensarem, a tomarem partido, a saírem de cima do muro, questionando a uniformidade do discurso, questionando o distanciamento das demandas oficiais com os sonhos e anseios da população.


Não acredito que no Brasil, realmente queremos o fim do pão e do circo, da copa do mundo e do carnaval, ao contrário, pão com presunto é uma dilicia como diria o chaves e o circo é uma das manifestações mais geniais da arte - ser palhaço não é pra qualquer um!!!!


Mas queremos o diálogo, o respeito, que as responsabilidades sejam assumidas e não somente  o anseio individual hiper estimulado...


Me entristeço em ver uma liderança mítica do naipe de Falcão deixar vir a tona o seu lado mais comum, mais humano, retirar o personagem de nosso imaginário, de nossos sonhos, mas me orgulho em ver um garoto, tão zuado, hostilizado e até odiado por alguns, pedir a camisa 10, a camisa da tradição, a camisa de Zumbi e de Pelé, a camisa de quem resolve e dizer antes do jogo contra o méxico que se  inspira nas ruas para entrar em campo, que quer um país melhor, mais justo e mais honesto para com as pessoas, palmas a Neymar, que atingiu seus sonhos e não foge de suas responsabilidades....

Espero que os Midas não tenham mais o sono tranquilo, que as raposas políticas continuem na espreita pois o Gigante não acordou, isso é jogada midiática, é tag pra boi durmir, vá as ruas, nós sempre estivemos e estaremos lá, mas o grito dessa geração foi por reconhecimento, identidade, diálogo, comunicação, respeito, canal aberto, um grito pra ficar na memória, pra fazer história!!!


Emmanuel 7 Linhas

(Literalmente balançado com o balanço da terceira ponte, e que sejamos pontes - sem pedágio!!!)

P.s.: resolvi publicar esse texto um ano depois da manifestação de junho por influencia da obra de Criolo, tocado pela voz das ruas.